A geografia dos povos antigos
As estrelas, o vento, a chuva, a neve, o trovão, o relâmpago e a tempestade despertaram o espanto e a curiosidade das sociedades humanas desde os tempos mais remotos. Não é difícil entender o fascínio do homem pelo céu.
Para muitos povos antigos, esses fenômenos naturais eram manifestações de forças divinas. Os deuses produziriam os ventos – quando assopravam – e os trovões – quando conversavam entre si. Os relâmpagos que cortavam o céu seriam as flechas das divindades. Os egípcios, Por exemplo, acreditavam que o Sol era Rá, um deus todo poderoso, capaz de fazer crescer os frutos da terra ou, ao contrário, deixar o solo ressecado e devastado.
A observação das estrelas resultou no seu agrupamento em constelações, identificadas pelos desenhos que elas formavam no céu. Esses constelações ou agrupamentos de estrelas foram inicialmente explicadas através das histórias de deuses, os mitos.
A presença da Constelação de Peixes no céu, por exemplo, indicava para os antigos babilônicos, assírios e persas o inicio da atividade da pesca. Para o povo egípcio, após as cheias do Rio Nilo, quando o Sol se localizava na região do céu em que se observava a Constelação de Gêmeos, isso marcava a época da germinação e da fecundidade.
Durante muito tempo acreditou-se que a Terra era plana e se localizava no centro do Universo. Essas idéias nasceram da observação dos movimentos do Sol, da Lua e das estrelas. Aos olhos de um lado do horizonte, percorrer um caminho no céu e se esconder do lado oposto. Na verdade, esses movimentos aparentes dos astros no céu são explicados pelos movimentos de rotação e de translação da Terra.
Geografia é uma palavra grega criada pelos antigos para designar os conhecimentos científicos a respeito do planeta Terra. Literalmente, em grego, geo quer dizer Terra, e grafia, escrita – ou seja, a geografia era considerada a descrição da Terra. Nessa nova área do conhecimento, bastante próxima da matemática e da astronomia, os gregos passaram a reunir os cálculos das medidas terrestres e inúmeras técnicas de confecção de mapas. Também fazia parte da geografia a descrição de diferentes povos e lugares, com base nas narrativas dos viajantes.
Os estudiosos da geografia foram buscar na geometria as respostas para esses fenômenos, não deixando duvidas em relação à forma da Terra. Afinal, apenas superfícies curvas podem manter uma mesma distancia em relação às estrelas que aparecem e desaparecem no firmamento em círculos paralelos. Foram esses conhecimentos que permitiram o calculo da circunferência da Terra já naquela época. Uma das medidas mais precisas foi efetuada pelo matemático e geógrafo grego Eratóstenes, em aproximadamente 240 a.C.
Sem nunca ter realizado uma viagem ao redor do mundo nem dispor das facilidades que uma fotografia de satélite oferece nos dias de hoje, ele obteve uma medida muito próxima daquela que é calculada com o uso dos mais modernos equipamentos.
A geografia dos viajantes e exploradores
Quando, no século XV, os europeus lançaram-se ao mar em busca de novas terras, eles sabiam muito pouco sobre o que existia fora de seu próprio continente. Essa grande aventura, conhecida pelo nome de GRANDES NAVEGAÇÕES, foi incentivada pela busca de imensas riquezas. Seus realizadores, entretanto, não sabiam direito o que iriam encontrar pela frente. Falava-se até em monstros capazes de engolir caravelas, que habitariam as águas ferventes dos mares desconhecidos.
A história da chegada dos europeus á América é prova desse desconhecimento.








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